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Categorias: Futebol

Funcionária do Flamengo que viu o incêndio diz que foi obrigada a voltar a trabalhar: “De cinco extintores, só um funcionou”

O incêndio no Ninho do Urubu, ocorrido em fevereiro de 2019, e que vitimou 10 jovens – categorias de base do clube – Arthur Vinicius, Athila Paixão, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo, Pablo Henrique, Rykelmo de Souza Viana, Samuel Thomas e Vitor Isaías -, segue sendo debate constante por conta do imbróglio com a maioria das famílias envolvidas no incêndio.

Além disso, o ocorrido ainda deixa marcas em quem presenciou e perto a tragédia na manhã de 08/02/2019.

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Em entrevista ao Jornal O Dia, Daniele da Silva, funcionária do Flamengo, contou detalhes significativos sobre a tragédia no CT e afirmou que o clube não lhe ajuda a bancar remédios.

Ela contou como fez para pedir ajuda ao segurança que estava de plantão no Ninho do Urubu, e revelou que quase todos os extintores de incêndios utilizados pelo funcionário para tentar apagar o fogo não funcionaram.

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Segundo ela, o segurança recorreu a cinco equipamentos, mas só um operou de forma adequada.

“Não usei extintores. Porém, vi que apenas um funcionou, do total de cinco. Neste dia, cheguei por volta de 05h50 ao Ninho, passei pela portaria central, bati meu ponto, dei bom dia ao segurança de plantão e desci. Chegando lá, estava tudo normal. Depois de um tempo, avistei uns atletas na porta do contêiner e uma fumaça preta com clarão saindo pelo teto. Saí correndo para a portaria, onde havia passado alguns instantes antes, e chamei o segurança. Ele veio correndo para ajudar. Quando chegamos em frente ao contêiner, o fogo já estava intenso. Foi muito rápido. Fiquei parada vendo aquilo tudo na esperança de não ter mais ninguém lá dentro. Mas logo saiu um menino e disse: ‘tia, tá cheio de gente lá dentro’. Eu pirei na hora. O fogo já tinha tomado conta da única porta de entrada do contêiner”, contou Daniele.

Em entrevista ao ‘Fantástico’, da Rede Globo, no último dia 21 de março, Benedito Ferreira, o segurança que é citado por Daniele, também havia chamado a atenção sobre o mal funcionamento de alguns extintores no dia da tragédia. Em seus depoimentos à Justiça, nenhum dos dois ex-funcionários comentou sobre a falha, mas relataram não terem sido questionados sobre o tema.

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“No início, usei um extintor. Um garoto tentou utilizar o segundo, não funcionou. Me passou, não funcionou. Teve um terceiro, que não funcionou”, afirmou Ferreira.

Daniele também disse que teve que voltar a trabalhar no Ninho apenas uma semana após o incêndio, ainda com os escombros do incêndio. Segundo a ex-funcionária, a Justiça decidiu que ela não prestasse serviços no CT, o que foi ignorado pelo clube.

Na ocasião, Daniele gravou um vídeo no local e fez fortes declarações. (veja o vídeo abaixo)

“Estou chegando aqui no Ninho do Urubu. Estou sendo obrigada a trabalhar aqui, onde presenciei a morte dos atletas do futebol de base, juntamente tentando prestar socorro, mas não deu. Fizemos o que deu. Infelizmente, esse incêndio deixou dez atletas mortos e alguns feridos. Estou sendo obrigada a trabalhar aqui a mando de Luiz Humberto (Gerente do CT) e a chefona do RH, a Roberta Tannure. Sem condição. Estou me sentindo muito mal. Girando todo o filme na minha cabeça. Cenas de terror. Estou desorientada, mas precisando de trabalho”, desabafou.

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A ex-funcionária também declarou que em nenhum momento pediu demissão, como foi dito pelo clube.

“Estavam me explorando no Ninho. Era auxiliar de serviços gerais, mas o Luiz Humberto me colocava na função de camareira, arrumando camas e quartos. Acho que eles não tinham como me manter como funcionária para sempre, mas o Gerente do CT e chefe de RH sabiam do trauma que vivi enquanto eles estavam em suas casas dormindo. Eu tinha dito que se fosse para trabalhar no Ninho, passar esse sofrimento, essa depressão, era melhor que me mandassem embora. Eu não pedi a demissão. Eu falei no ar e eles levaram a sério. Levaram para o coração. Com um salário de R$ 1 mil dentro de uma pandemia, ia preferir ficar sem emprego?”, desabafou.

Daniele confirma que recebeu e continua recebendo apoio psicológico do Flamengo. Entretanto, o Flamengo nunca colaborou na compra de seus remédios, que custam em torno de R$ 150 por mês, segundo ela.

“Me ajudaram e ainda ajudam com tratamento psicológico, mas nunca compraram meus medicamentos. Sempre enviei as receitas para Roberta Tanure (chefe do RH). Ela visualiza as minhas mensagens e nada. Às vezes, fico sem tomar os medicamentos por não ter condições de comprá-los. Eles alegam que compram, mas não é verdade”, soltou.

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